Espiritualidade dos Indios americanos


A roda da medicina



 


A Roda da Medicina simboliza a jornada individual que cada um deve tomar para encontrar o nosso próprio caminho. Dentro da Roda da Medicina existem quatro direções cardeais e as quatro cores sagradas. O círculo representa o ciclo da vida e o centro do círculo, o fogo eterno. A águia, voando em direção ao Oriente, é um símbolo de força, resistência e visão. Oriente significa a renovação da vida e do renascimento da unidade Cherokee.








Vermelho= sucesso Oriente; triunfo
Azul = derrota do Norte; problemas
Oeste = Preto = morte
Sul = Branco = paz, felicidade
Há mais três direções sagradas:

Acima = Amarelo
Baixo = Brown
Aqui no Centro = Verde
Inverno = go-la

A cor azul é para o Norte, o que representa a tristeza, a derrota.





 É uma época de sobrevivência e esperando.
A palavra Cherokee do Norte significa "frio" u-yv TLV.
Primavera = gi-la-go-ge 
A cor para o Leste é Vermelho, que representa a vitória, o poder.
A primavera é a re-acordar após um longo sono,  vitória sobre o inverno, o poder de uma nova vida.
 A palavra Cherokee para o Leste é ka-lv gv-
 Verão = ir ga-
A cor do Sul é branco para a paz, felicidade e serenidade.

O verão é uma época de abundância.
A palavra Cherokee do Sul significa "quente" u-ga-wa não.
Autumn = u-la-go-hv s di-
A cor é preta para o Ocidente, o que representa a morte.
O outono é a colheita final, o fim do ciclo de vida.
A palavra Cherokee para West é wu-de-li-gv.

Vermelho é simbolo de sucesso. Era a cor equipa guerreira, usado para atacar um inimigo no campo de batalha, bem como utilizada pelo guerreiro para proteger a si mesmo. contas vermelhas foram usadas para evocar o espírito vermelho para garantir vida longa, a recuperação da doença, o sucesso no amor e jogar bola ou qualquer outra empresa, onde o benefício da magia foi forjado.






Preto sempre foi típico de morte. A alma do inimigo era constantemente espancado pelos clubes sobre a guerra em preto e envolto em uma névoa negra. Na conjuração para destruir um inimigo, o padre usou contas pretas e invocou o preto espíritos, que sempre viveu no Ocidente,-lance-lhes arrancar da alma do homem e levá-la para o Ocidente, e colocá-lo no caixão preto no fundo lama negra, com uma serpente enrolada preto por cima.





Azul simboliza falha, desapontamento ou desejo insatisfeito. Dizer que "nunca se tornará azul" expressa a crença de que eles nunca falham em tudo o que empreendiam. Nos encantos do amor, o amante figurativamente cobriu-se de vermelho e rezou para que seu rival seria totalmente azul e andar em um caminho azul. "Ele está totalmente azul", se aproxima do significado da frase comum em Inglês : "Ele sente-se azul." Os espíritos azuis viviam no Norte.





Branco é paz e felicidade.  Nos encantos do amor, o homem, para induzir a mulher  vangloria-se: "Eu sou um homem branco", o que implica que tudo era felicidade onde ele estava. Contas brancas tinham o mesmo significado. Branco foi a cor do tubo de pedra, antigamente utilizados na ratificação dos tratados de paz. Os espíritos brancos viviam no sul.



Dois números são sagrados para o Cherokee. Quatro é um deles, que representava as quatro direções principais. No centro de seus caminhos estabelece o fogo sagrado. Sete é o número mais sagrado de todos. Sete é representado em sete direções: norte, sul, leste, oeste, acima, abaixo, e "aqui no centro" o lugar do fogo sagrado. Sete também representa as sete cerimônias religiosas que formaram o ciclo anual Cherokee .


Cherokees of California, Inc.









Os Indios americanos e os sinais da Natureza

Entendimento da Linguagem Natural
 


Alguma vez já se perguntou como os animais sabem quando um desastre natural se aproxima? Porque as pessoas não tomam em consideração esses sinais ao longo das suas vidas?

A natureza tem uma maneira de comunicar através da sua própria língua. Cabe-nos a nós interpretar esses sinais e usá-los para a nossa vantagem. A Natureza trabalha sempre em harmonia.


Quando os primeiros europeus chegaram à América do Norte, viram o índio americano orando aos animais, plantas, rios, lagos, o Sol, a Lua, o vento, o relâmpago, o trovão. Chamaram-lhes pagãos e selvagens. Por alguma estranha razão eles desenvolveram a idéia de que o índio não acreditava em Deus, embora em diferentes línguas tribais, havia referências a um Grande Espírito, o Grande Criador, o Criador, o Grande Mistério, ou o Grande Ser Invisível . A verdade é que não só os índios norte-americanos adoram uma entidade divina, mas também com uma profunda reverência a toda a criação.
Apesar de as forças de assimilação, os índios americanos tradicionais e os homens / mulheres santos  ainda compreendem o caráter sagrado da natureza. Eles vêem a vida com a força do Espírito, A Grande "floração" em todas as coisas no universo. Devido a antigas crenças, ensinamentos e práticas espirituais , sentem-se e mantêm um parentesco directo com tudo o que existe. No sistema de crenças tradicionais dos índios americanos, tudo é uma fonte de energia, e como resultado ele deve ser reverenciado.


O índio americano tradicional, acredita que cada ser vivo na natureza tem um espírito próprio, além de ser ligado e parte do Grande Mistério. É por isso que rezar e dar graças ao sol, a lua, as estrelas, a chuva, as águas do vento, e todos aqueles que andam, rastejam, voam, nadam e , ambos visíveis e invisíveis. Sabemos que não podemos sobreviver ou viver sem as nossas relações. Também percebemos que eles não podem viver sem nós, é por isso que existe uma relação recíproca.


Evidência desse sistema de crença pode ser encontrada nos mitos, lendas e histórias. Aqui é possível encontrar referência aos animais e aves como as pessoas. O urso é o nosso avô, nossa tia cascavel, nosso  primo castor , nosso tio águia, o veado nosso irmão,  e búfalos nossos irmãos. Mas em um sentido mais profundo da sua ideologia, não são só as nossas relações, mas também são considerados os nossos professores, protetores, guardiões, auxiliares de sobrenatural, e as fontes de poder e conhecimento.
Isso não é romantismo, é realidade. Acredito que as pessoas modernas possam aprender com esta realidade antiga, se eles estão dispostos a mente aberta. Existe um tipo especial de entendimento telepático e simbólica entre a tradição dos índios americanos e suas relações na natureza. Nós nos comunicamos através da oração, falando, danças, cantares, meditar, tocar, cheirar e / ou tabaco oferta, queimas de ervas, alimentos, ou algum outro presente para uma das nossas relações. Como a linguagem da natureza é simbólica, ele se comunica de volta para nós de uma forma única, com  símbolos naturais.



Uma fonte natural de conhecimento e poder que os índios tradicionais utilizam como parte do seu desenvolvimento e crescimento espiritual  e que as pessoas ocidentais e índios americanos mais assimilados  já não estão conscientes.
Instinto, no entanto, é uma realidade. É também um sistema natural de comunicação entre a natureza e as espécies, a mente eo corpo. A comunicação pode vir na forma de um símbolo físico, ou pode ser mais intuitivo, tornando-se conhecido através da linguagem, aparecendo como um palpite, um sentimento , ou uma voz interior, em um sonho ou através de uma visão.

Muitas pessoas ocidentais consideram essas formas de conhecimento natural misteriosa, sobrenatural, ou supersticioso. Eles não compreendem isso e têm medo, e como resultado encontram formas de ignorar ou desacreditár. A arte de estudar os sinais e presságios, no entanto, é uma antiga forma de conhecimento que foi utilizado por todas as raças da humanidade em um momento ou outro na história da sua evolução. Europeus, por exemplo, estudam alguns sinais na natureza para descobrir quando a planta ou colheita das culturas, quando caçar, quando fazer viagens por mar, e mesmo quando casar.

Alguma vez já ouviu "Céu vermelho de manhã, advertência para marinheiro ; céu vermelho à noite, deleite do marinheiro?" Alguns desses conhecimentos ocidentais antigos, ainda podem ser encontrados no Almanaque dos agricultores hoje (borda de água no caso Português). Para os  Indios tradicionais e homens / mulheres santos, o conhecimento natural sempre foi uma realidade e uma parte natural de sua ideologia e espiritualidade. Embora a comunicação com a natureza é um sistema antigo de conhecimento, não é arcaico, porque esse conhecimento ainda é relevante hoje. Devemos lembrar que nem todos os sinais, mensagens ou presságios são ruins.


Fato, ficção ou fantasia? Quem sabe como funciona a comunicação com a natureza ou o porquê. Tudo o que sei é que em algumas situações ela não funciona. Anciãos tribais, mitos e histórias ensinam que é perfeitamente natural chamar auxílio "sobrenatural"  quando todos os outros recursos parecem não funcionar. Somos ensinados que a terra está cheia de vários tipos de espíritos e poderes, bons e maus, positivos e negativos, físicos e espirituais, visíveis e invisíveis.





Algumas destas competências são ainda neutras. Somos ensinados que os poderes vêm na forma de forças naturais e elementos da natureza, tais como relâmpagos e trovões, ventos e nuvens, terremotos e incêndios, e as pessoas em animais, os pássaros, os peixes, as pessoas serpente, pessoas insecto, árvores, as plantas e as pessoas rocha.







Por outras palavras, cada parte da terra é uma fonte física e espiritual de poder e energia que afeta diretamente a nós, porque nós também somos parte integrante da grande família da Criação.



Thunder Horse

JARDINS ECOLÓGICOS EM LISBOA

A corrente dominante tem sempre sido que as actividades de fomento à biodiversidade se façam em zonas com uma envolvente natural ainda em bom estado e com o maior potêncial possível ao óptimo resultado.
Mas porque não a Biodiversidade na cidade ( A BiodiverCidade)?
Todos nós a nivel pessoal e profissional, temos desde sempre uma ligação muito forte com o campo e meio rural, e por isso entendíamos à alguns anos que Biodiversidade na cidade era irrelevante, a cidade já é por natureza um local estéril á biodiversidade, dado com perdido.
No entanto haverá melhor forma de sensibilização ou educação ambiental do que poder observá-la e inclusive, protegê-la no nosso próprio jardim ecológico?
Desde que vivemos na cidade e nos juntámos neste projecto, temos apercebido com alguma surpresa e sobretudo agrado, da ainda considerável riqueza de espécies que existem e circulam entre jardins, baldios, parques e principalmente, pequenos quintais.

Claro que também facilmente constatamos, que muitos desses quintais interiores estão a ser convertidos em garagens e estacionamentos, o que não deixa de ser um pouco triste (embora até possa compreender, pois o estacionamento, assim como os espaços verdes, são algo que está completamente esquecido na politica de ordenamento de Lisboa, em detrimento dos lobbies especulativos imobiliários e da construção desenfreada e completamente desregrada).  

Desde que começámos a construir pequenos jardins, para elementos da população com sensibilidade, formação e consciência ambiental mais evoluída, temos constatado que pode realmente ser feito algo pela tomada de consciência da importância da natureza e da biodiversidade nas nossas vidas.

Não somente pela via irredutível da ciência (nas consequências de devastarmos os recursos e capacidade de renovação do planeta), mas também pela via espiritual, ou da pura e simples estética da beleza no lazer (é aí que muitos começam, nestes novos tempos).
Pequenos quintais com jardins de biodiversidade, reproduzindo habitats naturais ou com hortas biológicas vocacionadas simultâneamente para providenciar a mesa de deliciosos horticolas e em simultâneo, embelezar o jardim.
É possível, fácil e  recomendável. Por civismo, consciência ecológica, bem estar, qualidade de vida, educação dos nossos filhos rumo a um futuro melhor e menos aterrador que aquilo que aparece nos noticiários e revistas cientificas.
Num momento que tanto se fala de crise poderá ser uma pequena solução ser capaz de produzir parte (ainda que pequena) dos alimentos que consumimos nas nossas refeições caseiras.
E para nós, que temos vivido e trabalhado em conservação da natureza, gestão de habitats e biodiversidade, educação, sensibilização e promoção ambiental, sempre em vários pontos do interior rural do país, e támbem em meios urbanos, hoje em dia não temos a menor dúvida que a maior massa critica deste pais, a maior dinâmica ambiental, está de forma irredutível e paradoxal nas nossas cidades.
Então e em jeito de conclusão: Fazem sentido os jardins ecológicos na cidade? Sem duvida!

  1. Porque sensibilizam as populações para a natureza.

  2. Porque fomentam espécies selvagens da nossa fauna.

  3. Pela simples estética.

  4. Para não nos sentirmos solitários como forma de vida num determinado meio.

  5. Porque é comprovadamente das melhores terapias conhecidas para o stress e pressão da vida nas cidades.
Brevemente, apresentaremos uma lista das espécies de fauna que podem ser atraídas a viver e usar estes jardins, em busca de abrigo e alimento. Acreditem que pode ser surpreendente.

A Sabedoria das árvores

A Sabedoria das árvores I



Mitologia, tradição, historias, as interrelações com o meio, as mensagens químicas, as sensibilidades, as dificuldades, no tão diferente mundo das árvores.  Tudo parece coisa que pouco ligamos e que normalmente achamos que de nada servem. Coisas do fantástico e imaginário.

Mas na verdade tão fundamentais como o respirar do oxigénio que produzem, ou a madeira dos seus corpos, que nos dão um milhar de coisas no dia-a-dia.

A capacidade de sonhar e ver beleza, de respeitar e amar, pois se não nos conseguirem conquistar estas afectividades, todas as outras funções tão úteis só lhes servem mesmo é para ser cortadas.


Também vemos actualmente um novo desafio em termos de educação ambiental ou para a cidadania participativa em que se trata apenas disto mesmo.  


Cada dia acreditamos mais que não é com argumentos lógicos e técnicos que vamos salvar ou contribuir para mudar a ordem e caminho da sociedade, rumo a um futuro mais sutentável, ambiental e humanamente mais saudável e equilibrado. Debaixo das preocupações do dia-a-dia, das aspirações materiais ou das angustias com o futuro, parece-nos  conseguir ver nos olhos de muita gente um desejo ou necessidade secretos ou ignorados, de sonhar e sentir, de parar e contemplar.




Talvez seja lirismo nosso, mas vemos isso nas pausas das conversas do café do bairro, em tom de voz muito alto e com muita brejeirice pelo meio, Nas pessoas à espera do autocarro e a olhar o vazio. Nos que bebem o café rápidamente para ir fumar o cigarro lá fora e atirar depois e distraidamente a beata para o chão. Nas centenas ou milhares que ficam parados nas filas de transito.







Em todas essas pessoass, quando param da correria do trabalho, afazeres ou buscas incessantes,  parece ver-se esse desejo de beleza, de encontrar um sentido, algo mais. E sobre a beleza, não nos referimos àquela tipa/tipo gira/o que passou ali atrás, ou a nova peça de roupa, ou o carro de sonho na vitrina do stand, mas sim na poesia e bem estar interior, no sentir a vida com intensidade e bem estar, na capacidade de criar e transformar, em sentir poesia e beleza na vida. E está lá. E a necessidade também. E com força.







E quantas pessoas nesta cidade muito raramente de cá saem. e aos que o fazem não suspiram de alivio ao ver um pouco de verde, tranquilidade, silencio.


E tem mesmo de ser assim? Não será tempo de começar a exigir um estado de espírito e um meio mais agradável e saudável, mesmo o tendo ou querendo permanecer na  cidade?


Porque deverão ser as cidades sinónimos de extensões estéreis de betão, veículos metálicos, ruído e lixo?




Esse conceito está completamente ultrapassado.

E não serão os espaços arborizados que os habitantes da cidade procuram quando necessitam de paz, ou de reflectir, ou de respirar. Não haverá uma razão para isso?
Não sentimos todos o corpo e a mente a descontrair, ao observar uma árvore frondosa com as folhas a agitar com uma brisa suave (de tal modo que até parece cliché)?

Não será por nos transmitirem as próprias árvores um sentimento ancestral, bem gravado na nossa memória genética, de que estão ali à tanto tempo, como símbolo de perenidade e estabilidade de algumas coisas, algo necessário para nos transmitir alguma paz?

E temos de gostar e apreciar para nos preocuparmos e queremos.

Para proteger e interessar precisamos de gostar e preocupar.

Portanto parece inevitável que o ponto de partida seja a afectividade, a sensibilidade, em termos da matéria "prima" a trabalhar.




A necessidade de beleza faz parte de nós, humanos, desde sempre. Quando ainda vivíamos em cavernas, sujos e imundos, esfomeados e a tiritar de frio, a dormir no chão e com a morte, a dor e o sofrimento a espreitar em cada canto, nesses tempos, porque iríamos preocupar com pintar paredes e adornar os nossos corpos e utensilios do dia-a-dia?

Porque admirávamos a beleza dos outros seres vivos que connosco partilhavam o mundo?

Porque é a arte, a escrita, a musica, até a cultura da aparência pessoal, tão fundamental e prioritária, por vezes á propria saúde e qualidade primária de vida?


Na verdade temos a certeza que quanto mais dura e adversa é a realidade, mais necessitamos da beleza e da poesia. E vivemos tempos duros. Não é a sobrevivência ou conforto físico que estão em perigo(pelo menos imediato), mas a angustia, a incerteza, a desconfiança, o receio de perder (porque se tem).
E o nosso meio envolvente vai ficando mais feio.








Muitos até poderão dizer, rápida e convictamente; -Que parvoíce! Mas já ouvi esses mesmos a lamentar a carência e o vazio.
Então está lá! Essa sensação. E em simultâneo isto é a coisa mais fácil e mais difícil de se mudar e alcançar, por ser só dentro de nós que opera a mudança. Mas cremos que se consegue. Nós andamos a tentar. E vamos partilhando...




Fauna Urbana – a vida selvagem à nossa porta



(Extraido de Naturlink)






Manuel Nunes (texto) e Jorge Nunes (fotografia)





Ao contrário do que se poderia supor, as cidades não são domínio exclusivo dos seres humanos. Nos jardins, lagos, hortas e edifícios é possível encontrar uma miríade de seres vivos que aprendeu a tirar partido dos habitats das nossas urbes.



Ao contrário do que muitas pessoas poderiam supor, as cidades não são domínio exclusivo dos seres humanos. Nos jardins, lagos, hortas e edifícios é possível encontrar uma miríade de seres vivos que aprendeu a tirar partido dos diferentes habitats das nossas urbes. São aves e mamíferos, mas também répteis e anfíbios cuja vizinhança muitas vezes desconhecemos mas que partilham connosco a selva urbana.



Quando há 12 000 anos atrás surgiram, no Crescente Fértil, as primeiras cidades, dificilmente os seus habitantes poderiam imaginar que milhares de anos mais tarde as suas urbes de adobe, madeira e pedra, haveriam de evoluir para gigantescas «ilhas» de tijolo, vidro, betão e aço onde vivem actualmente mais de 1500 milhões de pessoas. Talvez as cidades modernas tenham poucos encantos naturais quando comparadas com as primitivas cidades Sumérias, apesar disso também elas se converteram em redutos ecológicos importantes para inúmeras espécies de animais selvagens, a ponto destas chegarem a ser consideradas como ecossistemas completos nos quais a biodiversidade se relaciona entre si e com o meio envolvente com a mesma perfeição com que o faz nos espaços inalterados pelo Homem.





Mas o que terá levado tantas espécies animais, algumas delas raras nos seus habitats naturais, a ocupar estes ambientes artificiais criados pelo Homem, a adaptar-se a eles e a prosperar? Aparentemente, a resposta é simples: abundância de alimento, fruto dos desperdícios orgânicos dos habitantes humanos; ausência quase total de predadores e maior tolerância por parte dos seres humanos; abundância de abrigos e nichos ecológicos (ex.: casas abandonadas, ruínas, torres de igrejas, cemitérios, telhados, varandas, terraços, pátios, jardins, hortas, árvores, lagos, fontes, esgotos e todo o tipo de canalizações subterrâneas); e condições climatéricas mais acolhedoras, sobretudo em termos de temperatura, pois as cidades funcionam como «ilhas de calor» que, em média, registam temperaturas 1,5 ºC acima dos valores que se verificam fora do espaço urbano. Em certos casos, a adaptação à vida urbana foi de tal forma bem sucedida que algumas espécies de animais simplesmente deixaram de conseguir sobreviver sem a presença do Homem, como acontece, por exemplo, com os vulgares pardais-domésticos (Passer domesticus), que não sobrevivem em povoações que tenham sido abandonadas pelos residentes humanos.







Mas nem tudo são rosas para esta fauna urbana. Exposta a todo o tipo de perigos, os animais da cidade têm uma esperança média de vida relativamente curta, situação viável apenas devido a uma elevada fertilidade que permite a algumas espécies contrabalançar as pesadas perdas provocadas por factores como a poluição atmosférica; o excesso de ruído; os atropelamentos; a falta de refúgios nas edificações modernas; a escassez de vegetação; e até o elevado nível de stress a que muitas «espécies urbanas» estão sujeitas, como o comprovam estudos etológicos realizados em populações de aves urbanas, segundo os quais estes animais apresentam níveis de stress e hiperactividade comparáveis aos de um alto executivo humano.



Lisboa, uma cidade «selvagem»

Dependendo da localização e da quantidade e qualidade dos habitats disponíveis, as cidades atraem maior ou menor diversidade de animais. De todos os grupos de animais que frequentam ou habitam as nossas cidades, as aves são, claramente, o mais abundante. Mas não se pense que as aves se resumem aos pardais, às pombas, às gaivotas ou às andorinhas. Com efeito, a elevada capacidade de adaptação das aves, aliada a uma maior diversidade de espécies, converteu-as em verdadeiras estrelas da nossa fauna urbana, proporcionando às populações de muitas cidades portuguesas, nomeadamente daquelas onde abundam parques e jardins, terrenos baldios e/ou zonas ribeirinhas, a oportunidade de tomar contacto com o mundo novo da «ornitologia urbana».





Lisboa possui, talvez, a maior e mais estudada comunidade de aves urbanas do país. De acordo com Hélder Costa, ornitólogo da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e autor do livro Lisboa AVES, «nidificam actualmente em Lisboa cerca de 28 espécies, embora o número total de espécies registadas ronde as 138». Apesar deste número, poucos serão os lisboetas que conhecem verdadeiramente as suas aves. Com efeito, refere este ornitólogo, «com excepção dos pombos, das gaivotas e dos pardais, de uma forma geral, a maior parte dos lisboetas não se apercebe muito da existência de aves da cidade» o que, tendo em conta a profusão de espécies que ocupa a capital, não deixa de ser sintomático do alheamento dos habitantes humanos face aos seus vizinhos alados. Na verdade, a maioria dos lisboetas continua a desconhecer que entre os seus vizinhos se incluem espécies tão singulares como, por exemplo, os flamingos (Phoenicopterus ruber) que por vezes aparecem na zona do Parque Expo; os peneireiros (Falco tinnunculus) que nidificam desde o final da década de 90 nos respiradouros da Torre do Tombo e que frequentam algumas zonas da cidade, especialmente onde ainda subsistem terrenos baldios, parques de média dimensão ou restos de antigas quintas (zona do aeroporto, zona das Olaias, etc.); os andorinhões-pálidos (Apus pallidus), que criam em grande número nos edifícios antigos do centro histórico; as alvéolas-brancas (Motacilla alba), que se aglomeram às dezenas todas as noites nas árvores-dormitório da Praça de Espanha; os falcões-peregrinos (Falco peregrinus), que por vezes sobrevoam o parque Eduardo VII ou utilizam as pontes 25 de Abril e Vasco da Gama como poiso altaneiro; ou ainda as esquivas garças-nocturnas (Nycticorax nycticorax), que por vezes frequentam os lagos dos jardins da cidade, como acontece no Hospital D. Estefânia.





A geografia das aves urbanas



Do Minho ao Algarve, o rol de cidades e vilas onde se observam toda a sorte de aves, algumas das quais raras, é surpreendentemente longo. Em Viana do Castelo ou em Caminha, por exemplo, as marginais, situadas respectivamente nas margens do estuário do rio Lima e Minho, são frequentemente local de poiso e passeatas de aves aparentemente tão estranhas à cidade como o maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos), a narceja-galega (Lymnocryptes minimus), a garça-branca-pequena (Egretta garzetta) e o corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) entre muitas outras. Mais para o interior do país, em Montalegre, o centro histórico é local de nidificação habitual de rabirruivos-pretos (Phoenicurus ochruros), andorinhões-pretos (Apus apus), e até de chascos-cinzentos (Oenanthe oenanthe), ariscos visitantes estivais dificilmente observáveis noutra área urbana do país que não nesta vila raiana de Trás-os-Montes. Em pleno centro da cidade do Porto, no Parque da Cidade, entre andorinhas-das-barreiras (Riparia riparia), cartaxos (Saxicola torquata), galeirões (Fulica atra), galinhas-de-água (Gallinula chloropus), guinchos (Larus ridibundus), garças-cinzentas (Ardea cinerea) e até guarda-rios (Alcedo atthis), a lista de espécies observadas ao longo do ano é tão extensa e rica que o Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS), já demonstrou, inclusive, a intenção de elaborar um guia de aves do Parque da Cidade que permita aos visitantes identificar e conhecer a riqueza avifaunística deste pulmão verde da cidade. No entanto, a ideia não é nova na Invicta. Em 1993, a Fundação de Serralves, localizada nas imediações da Avenida da Boavista, lançou o livro Aves de Serralves, onde são descritas as 79 espécies de aves com que os visitantes dos jardins da Fundação se podem deparar habitualmente. Entre estas, destaque para espécies vistosas como a poupa (Upupa epops), o gaio (Garrulus glandarius) e a pega-rabuda (Pica pica), e ainda para dois residentes inusitados: a coruja-das-torres (Tyto alba) e o mocho-galego (Athene noctua), duas rapinas nocturnas relativamente comuns nesta parte da cidade, embora mais frequentemente escutadas do que observadas pelos habitantes humanos.






Na região centro, próximo da cidade de Coimbra, a Mata Nacional do Choupal é local de nidificação de vários casais de milhafre-preto (Milvus migrans), uma rapina que se tornou tão comum na região, que os habitantes da cidade já se habituaram a vislumbrar as suas silhuetas planando lentamente sobre a baixa da cidade, sobre a auto-estrada A1 ou sobre as margens urbanizadas do Mondego, em busca de presas.







No centro-sul do país, em grandes cidades como Castelo Branco, Portalegre e Beja, ou em pequenas vilas como Figueira de Castelo Rodrigo, Barrancos, Alcácer do Sal, ou Mértola, as cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) também se tornaram, nas últimas décadas, inquilinas notadas e incontornáveis, construindo os seus enormes ninhos sobre campanários, torres e chaminés, com o mesmo à vontade com que exibem as suas ruidosas paradas nupciais. Mas em Mértola, não são apenas as cegonhas que pontuam os céus da vila. Durante a Primavera e o Verão, um pequeno e raro falcão migrador que nidifica no sul do Mediterrâneo e inverna em África, regressa a esta pequena povoação para criar a sua prole. Trata-se do francelho-das-torres (Falco naumanni), uma ave de rapina que nidifica em velhos edifícios, montes abandonados e muralhas. No passado, terá sido bastante abundante pelas vilas e cidades do sul de Portugal, como Évora ou Castro Marim, mas actualmente, a população está estimada em apenas cerca de 160 casais repartidos por 10 colónias de criação, sendo uma das mais importantes, aquela que cria na igreja matriz, no castelo e nos velhos edifícios de Mértola, com cerca de 60 casais recenseados.






Répteis e anfíbios: os vizinhos incógnitos



A maioria das pessoas reconhece certamente as aves como vizinhos rotineiros no habitual frenesim citadino. Mas quantos de nós terão alguma vez atentado nas diversas espécies de répteis e até anfíbios que povoam as nossas cidades? Na cidade de Lisboa, por exemplo, os muros, os jardins e até os interiores das casas abandonadas ou arruinadas dos bairros históricos, constituem um lar excelso para a cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis), uma serpente não venenosa e inofensiva para o ser humano, com excepcionais qualidades trepadoras, que se alimenta dos abundantes ratos e ratazanas que infestam esta área da cidade, embora também cace outros répteis, como a osga-comum (Tarentola mauritanica) e a lagartixa-ibérica (Psammodromus hispanicus), também eles habitantes muitas vezes inauditos destes «condomínios de luxo» que são os velhos bairros do centro histórico da capital. Na cidade de Évora, um outro réptil, a osga-turca (Hemidactylus turcicus), uma espécie de pequenas dimensões, bastante rara entre nós e de distribuição localizada, também coexiste, muitas vezes incógnito, com os seres humanos. De actividade exclusivamente nocturna, é surpreendentemente frequente na cidade, sobretudo em ruas pouco movimentadas, num claro contraste com o que se verifica fora do espaço urbano eborense, onde é bastante rara. Mais a sul, no Algarve, também os inofensivos camaleões (Chamaeleo chamaeleon) vivem lado a lado com os milhares de veraneantes que anualmente invadem o litoral algarvio. Embora mais comuns nos pinhais litorais, sobretudo na região do centro e sotavento algarvio, os camaleões ocorrem também em zonas com árvores de fruto e vinhas, em áreas semiurbanas, paredes-meias com o casario das cidades de Faro, Tavira e Vila Real de Santo António.



Menos ubíquos do que os répteis, dada a sua menor tolerância à poluição e dependência relativamente à água para completar o ciclo biológico, os anfíbios também são presença habitual em algumas das nossas vilas e cidades. No norte e centro do país, algumas cidades costeiras, como Esposende, Vila do Conde, Póvoa do Varzim e Figueira da Foz, albergam nas suas frentes ribeirinhas dunares populações de sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes), uma espécie de anfíbio de hábitos nocturnos que apenas se observa com alguma facilidade nas noites suaves e chuvosas quando emerge da areia. Na cidade do Porto, o Parque da Cidade e o Jardim Botânico, são igualmente refúgio de várias espécies de anfíbios, entre os quais o sapo-comum (Bufo bufo), a rã-verde (Rana perezi), a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra) e até o sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans), um pequeno anfíbio assim apelidado pelo facto do macho desta espécie transportar «às costas» a postura de ovos da fêmea, praticamente até à sua eclosão.





Os mamíferos e a cidade



À noite, quando os habitantes humanos se recolhem nas suas casas, a escuridão traz às ruas, aos becos, aos jardins e até às nossas próprias casas os mais esquivos e furtivos habitantes da «fauna urbana»: os mamíferos. Apesar do reduzido número de espécies de mamíferos que colonizou os ambientes urbanos portugueses, as que o conseguiram, exploraram este novo habitat como nenhum outro grupo de animais. É o caso de algumas espécies de pequenos roedores, como o rato-caseiro (Mus musculus), mas sobretudo a ratazana-castanha (Rattus norvegicus), cuja população na área da grande Lisboa, se calcula em cerca de 4,5 milhões de animais, praticamente o equivalente ao dobro da população humana residente! Mas os «mamíferos urbanos» não se resumem a estas espécies «oportunistas». Grandes cidades como Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Setúbal ou Faro, possuem, apesar da contínua expansão do betão, inúmeras áreas cultivadas espalhadas um pouco por todo o seu espaço urbano: são as hortas. Embora não passem de pequenos espaços de terra agricultada, para algumas espécies de mamíferos insectívoros, como a toupeira (Talpa caeca), o musaranho-de-dentes-brancos-grande (Crocidura russula) e até o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), constituem verdadeiros édenes onde a abundância de alimento e de esconderijos, permite uma sobrevivência citadina relativamente desafogada e sossegada. Menos comum, mas nem por isso menos familiarizado com os jardins e parques de algumas das nossas cidades, é o esquilo (Sciurus vulgaris). Até há alguns anos atrás, pelo facto da espécie se encontrar extinta em Portugal desde o século XVI, as únicas populações urbanas de esquilos resumiam-se aos animais introduzidos no Parque Ecológico de Monsanto, em Lisboa, e no Jardim Botânico de Coimbra. Actualmente, graças a uma recolonização natural a partir da Galiza, o esquilo regressa lentamente à convivência dos habitantes de algumas cidades, sobretudo do norte e centro do país (Caminha, Amarante, Penafiel, Valongo, Vila Nova de Gaia, Lamego, etc.), onde a abundância de áreas florestadas se revela ideal para a instalação deste sociável animal arborícola. Porém, alguns dos nossos vizinhos mamíferos, como os morcegos, não gozam de tão boa reputação. No entanto, sob as telhas, por detrás de uma portada, numa cave escura e pouco utilizada, ou simplesmente no buraco de uma árvore, os morcegos vivem mais perto de nós do que suspeitamos e ocorrem em praticamente todas as cidades portuguesas. O morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus) é claramente a espécies de morcego mais comum nas nossas cidades, embora o morcego-hortelão (Eptesicus serotinus), o morcego-rabudo (Tadarida teniotis) e o morcego-arborícola (Nyctalus noctula) também sejam espécies que frequentam as nossas áreas urbanas. Apesar de pouco estimados pelos seres humanos, estes pequenos mamíferos alados desempenham um importante papel ecológico nas nossas cidades, já que se alimentam quase exclusivamente de pequenos insectos, muitos dos quais são incómodos e prejudiciais para os seres humanos. Se nos lembrarmos que um morcego consome, numa única noite, o equivalente ao seu peso em insectos, facilmente poderemos depreender que sem estes eficazes caçadores nocturnos, as nossas vilas e cidades, por certo que seriam espaços bem menos habitáveis para os seres humanos.



Bibliografia



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Schober. W. e Grimmberger, E. (1993) - Bats of Britain and Europe. Hamlyn Guide. London.

ABRIGOS PARA FAUNA



Construa abrigos para as sardaniscas e os sardões na sua horta ou jardim.
Estes répteis funcionam como auxiliares e defensores das suas culturas caçando animais indesejáveis e mantendo afastadas ou no minbimo controldasa vários tipos de pragas da plantas.
Não os afugente!


As sardaniscas (lagartixas) e os sardões são uma presença quase constante na nossa horta ou pomar, encontrando-se mais junto a pedras, blocos de cimento e tijolos; construções antigas e pouco utilizadas, e outros pequenos nichos que servem de esconderijo, caso se sintam ameaçadas (sendo os gatos uma terrivel ameaça, pois caçam-nos sem piedade).


Mas, se os encontrar, não corra atrás deles para os afastar.




Estes pequenos répteis podem ser um precioso auxiliar do jardineiro e do agricultor, pois a sua alimentação é composta de grilos, gafanhotos, moscas, mosquitos e outros insectos.



Os sardões chegam mesmo a caçar ratos e ratazanas. As osgas são excepcionais no controle de moscas e Melgas. As cobras (e tirando as viboras, que estão muito restritas a alguns locais do pais) são perfeitamente inofensivas para os humanos e são activas predadoras de ratazanas e ratos.




Por estas razão, construa pequenos abrigos com pedras ou madeira para garantir a presença destes répteis. Neste contexto, um muro feito de pedra rusticas, ou uma instalação criativa de pedra, são suficientes para atrair estes simpaticos e uteis animais.



Ainda que não goste deles, vai dar-lhe jeito tê-los por perto