Princípios de acção em Permacultura (Por Bill Mollinson)



Funções Múltiplas
Esta ideia consiste em assegurar que o que está incluído em um sistema tenha o maior número de funções possíveis Isto simplesmente aumenta a eficiência. Por exemplo, construindo um depósito em um jardim para armazenar ferramentas, pode-se usar o seu tecto para captação de água que irá para um tanque de armazenamento ou poderia servir de sustentação para plantas trepadeiras. Poderia servir como barreira de separação para diferentes partes do jardim e poderia esconder uma vista desagradável, entre outras funções.
Plantando-se árvores de sombras grandes, poderíamos escolher árvores como o Jacarandá ou o Angelim, essências florestais muito úteis mais leguminosas como o Ingá, árvore que tem vagens comestíveis.
Diversidade
A estabilidade dinâmica dos ecossistemas é a baseada na diversidade de espécies e nas múltiplas interacções existentes. Nossos planeamentos devem tratar de incorporar e construir a mais ampla variedade e diversidade possíveis. Grandes áreas de monocultivo são facilmente invadidas por pragas e ervas indesejáveis. Em um cultivo ou jardim com o maior número possível de espécies, nem as pragas, nem as ervas indesejáveis têm a oportunidade de criar um estado desiquilibrado o suficiente para causar danos.
Use variedades de plantas e espécies para criar uma rica rede de interacções e uma ecléctica mistura de associações entre todos os elementos do desenho.
Reciclagem de Energia
A energia que provêm do SOL e seu fluxo através dos ecossistemas é a base da vida em nosso PLANETA, segundo os princípios da Ecologia. Os organismos que mantém sua porção desta energia por maior tempo possível e que usam essa energia de forma mais eficiente são os que provavelmente irão sobreviver e prosperar.
Em termos de desenho, isto quer dizer que necessitamos criar ciclos de energia eficientes, densos e efectivos dentro de cada parte do sistema e em todas as partes possíveis.
Um bom exemplo de reciclagem de energia é a COMPOSTAGEM. A energia presente dentro dos desperdícios alimentícios, pastos podados e outros restos orgânicos, com a ajuda de bactérias e fungos podem ser outra vez convertidos em nutrientes que as plantas poderão reutilizar para produzir novos alimentos.
Padrões Naturais
Com um pouco de atenção, a observação de nossos sistemas naturais revelará padrões e planos complexos. Você não encontrará linhas rectas ou quadros perfeitos. Use os padrões da natureza como inspiração em seus trabalhos de desenho. Quando se fazem planos para uma propriedade, estamos impondo padrões sobre a paisagem. Trate de assegurar-se que os padrões que você selecciona sejam tão belos e funcionais como os que a natureza usa. Muitas ideias da Permacultura tem sido inspiradas em tais observações.
Localização Relativa
Cada árvore, cada planta, cada estrutura tenderá para uma área onde será especialmente benéfica. Plantar uma árvore de abacate em um lugar que está húmido e molhado provavelmente matará a árvore (as raízes apodrecem). Igualmente, não tem sentido plantar, como sistema de quebra-vento, uma planta quebradiça como, por exemplo, Acacia decurrens.
Este princípio requer que pensemos nas necessidades de cada elemento (botânica, horticultura, no caso das plantas) também que pensemos nas interacções que vão se suceder por causa da colocação deles. Por exemplo: é uma boa ideia plantar próximo de um tanque ou represa as árvores com alta necessidade de água (como bambus, nogueiras, entre outras).
Recursos Biológicos
A natureza é muito eficiente e tem desenvolvido métodos para manejar quase todas as funções. Sempre que seja possível, devemos usar sistemas naturais para fazer o trabalho. Por exemplo, podemos comprar materiais químicos feitos por seres humanos para combater problemas de pragas, ou podemos planear nosso sistema com patos e/ou galinhas permitindo-lhes que andem na horta (controlando sua permanência) e permitindo-lhes que comam os insectos e pragas em vez de fumigar com pesticidas. Mesmo porque algumas pragas podem desenvolver imunidade rapidamente contra os mais modernos e caros pesticidas, mas nenhuma praga pode desenvolver imunidade contra o ser comida por uma galinha.
Podemos escavar a terra para fazer um cultivo de hortaliça em um jardim, ou podemos alimentar a terra e assegurar que tenhamos uma grande população de minhocas as quais farão o trabalho de arejar a terra e o fazem melhor que uma enxada ou pá (é mais fácil para os músculos das costas, e para a coluna).
Planeando com os Declives
Devemos tirar vantagem da situação, como usar pendentes ou diferenças de altura, para fazer fluir a água e outros fluídos como ar frio para baixo. Colocando um grupo de tanques de armazenagem sobre o tecto da casa, poderemos regar a horta sem ter que comprar uma bomba. Sabendo que a água quente sobe, podemos construir um sistema de água quente que usa esta termodifusão, em vez de usar outra bomba.
Uso das Bordas
Em Ecologia se constata que as bordas(limites) entre diferentes ecossistemas sempre são mais produtivas do que cada ecossistema o é individualmente, posto que a área de borda pode manter espécies de dois ou mais ecossistemas como também espécies únicas em uma área de borda que represente a mescla dos ecossistemas vizinhos. Uma linha sinuosa (para quebra-vento, por exemplo) é mais larga que uma linha recta ainda que conectem os mesmos pontos – têm mais borda e esta linha pode ser plantada com mais espécies úteis – e em si é mais efectiva como quebra-vento. Existem vários estilos de bordas. Deve-se usá-las o máximo possível. O desenho de tanque em formato de roda cria uma boa borda água/jardim.
Zonas
O conceito de zonas trata do manejo(economia) de energia. Coloque mais próximo do centro de actividades as coisas que requerem muita atenção(energia) especialmente na forma de actividade humana. No geral isto quer dizer, próximo da residência.
Um jardim de cultivo de verduras e ervas como acelga para cortar frequentemente (que se visita na média de duas vezes ao dia) deve estar mais perto possível da porta ou área atrás da casa ou próximo da cozinha. Uma área de árvores cultivadas para uso da lenha pode estar localizada mais longe da casa.
Em muitos livros de permacultura, este conceito de Zonas se divide com designações de:Zona 1 – O jardim de cultivo e hortaliças, localizada perto da casa. Zona 2 – Horto, galinheiro, medianamente distante da casa. Zona 5 – Área de bosques silvestres ou de cultivo, bosque natural, área de caça e outros recursos, mais distanciada da casa.
O ponto importante aqui é que há vários níveis de intensidade no uso de energia no manejo do ambiente.
Múltiplos Elementos
Elementos múltiplos são como uma espécies de apólice de seguro. Se trata de pensar sobre as funções e serviços que se quer e encontrar todas as maneiras possíveis para realizá-las. Por exemplo, a água é sumamente importante para qualquer atividade humana, assim é que sua captação deve ser de grande prioridade.
A função de captação de água pode realizar-se com sistemas estabelecidos no tecto da casa (tanques de captação) que através de canos de descida chegam a seu destino ou por um sistema de Swales (escavações sobre as curvas de nível topográfico). Para extrair água da terra ela é bombeada de poços e/ou de rios. O tratamento de águas negras também é uma forma de colher(economizar) água.
Uma represa pode ser multifuncional porque pode conter peixes, pode conter plantas de ambiente aquático, pode ser usada como sitio de relaxamento e diversão, e também pode servir de protecção contra incêndios (por exemplo, se a represa é colocada no sector de incêndios sobre a principal direcção de ventos intensos e secos).
A represa pode ter um entre outros tantos elementos. Assim pode ser usada também na protecção contra incêndios – outros elementos para controlar incêndios podem ser montículos de terra, uma área de pastagem totalmente usada, uma estrada ampla, ou um plantio denso de vegetação resistente ao fogo, entre outros.
Sectores
Este trata do conceito diz respeito à energia que flui através de um sistema. Este fluxo ocorre geralmente a partir de direcções específicas. São estas direcções que definem os sectores. A cobertura dos construções devem levar em consideração estes dados. Por exemplo, em quase todas as áreas, a chuva normalmente vem com o vento de uma dada direcção, deste modo as instalações voltadas para esta direcção recebem chuva com mais frequência. Nos Andes (Peru e Chile), muita chuva cai até o mar desde as montanhas, mesmo que do outro lado a terra recebe muito menos chuva.
Uma estrada de muita actividade ao lado de uma propriedade pode criar um sector caracterizado pelo tráfego, ruído e contaminação por causa dos carros. Montículos de terra, bordas de terra e plantio densos colocados nos limites desta direcção ajudam a reduzir o impacto negativo.
Sucessão Natural
Os Sistemas Naturais constantemente estão em evolução e desenvolvimento até à maturação. Em nossos desenhos necessitamos planear para o futuro para permitir que esta expansão natural ocorra. Isto pode se levar a cabo simplesmente na maneira de plantar uma árvore frutífera para permitir espaço onde possa se desenvolver e crescer até ser uma árvore grande. Uma mangueira, por exemplo, pode tornar-se uma árvore grande, porém é muito pequena quando inicialmente plantada. No princípio a árvore se encontra muito sozinha, rodeada por muito espaço, porem através dos anos, ela utilizará esse mesmo espaço ao madurar como árvore frondosa e frutífera.
A tendência dos sistemas em evoluir através da sequência ervas, pioneiras e clímax pode ser explorada de outra maneira. Primeiro, podemos incluir plantas úteis em cada nível. Em vez de permitir que uma área seja coberta por ervas invasoras, geralmente de folhas grandes, podemos deliberadamente plantar ervas úteis ou fixadoras de nitrogénio como plantas de cobertura. Pioneiras podem ser plantas como a banana, o mamão, entre outras. Finalmente, o estrato clímax pode ser constituído por árvores de grande porte e frutíferas, ou óptimas para o aproveitamento da madeira, ou uma leguminosas também de grande porte como o jacarandá.
Também podemos ajudar o processo no sistema. Isto quer dizer que se plantam espécimes úteis para cada nível de sucessão, porem se plantam juntas, ao mesmo tempo. Plantando-as ao mesmo tempo, aceleramos o processo, reduzindo assim o tempo. Deste modo podemos plantar ao mesmo tempo, as plantas de cobertura (ervas), mamão (pioneiras) e manga (clímax). As plantas de cobertura se estabelecem rapidamente em seguida os mamões começam sua produção e, um pouco mais tarde termos a sombra das árvores de manga, entre outras, plenamente desenvolvidas.
Os sistemas naturais também têm diferentes níveis dentro do Clímax. Umas poucas leguminosas de vida curta, muitas árvores produtivas de estratos médios e altos, plantas de baixa altura que podem tolerar sombra, umas plantas de cobertura que apresentem ramadas e produzem sombra. Ao combinar plantas, estamos tratando de criar grupos – combinações de vegetais que funcionam juntos. Estas associações muitas vezes incluem uma árvore ou arbusto grande – uma leguminosa trepadeira (feijão etc.) e uma camada de cobertura sobre a terra (ervas ou verduras de poucos cuidados como pepino e cebolinha).

Plantação de alimentos de Inverno para aves


Woodpecker.jpg
Um benefício adicional para um jardim ao ser concebido ou reestruturado, acontece ao ser considerado e encarado como um sistema orgânico no contexto do método de planeamento da Permacultura, e neste sentido será tido em conta sempre a produção de alimentos e outros recursos, quer seja para nós, humanos ou para muitas outras espécies animais da fauna selvagem autóctone (nativa). E esse será o principio e o modelo mais eficaz para se conseguir alcançar o objectivo de ter um habitat de vida selvagem onde prospera a biodiversidade. 

Aves, répteis, anfíbios, insectos e nalguns casos também mamíferos, existentes contribuem para manter o equilíbrio de pragas / predadores numa relação de ecossistema harmonioso. 

Para incentivar e chamar estes animais para o jardim podem-se recorrer a várias técnicas. no caso especifico das aves, uma das melhores opções será a plantação de uma  sebe mista com espécies maioritariamente autóctones( nativas, incluindo na sua composição espécies como Pilriteiro (crataegus monogyna), azevinho (ilex aquifolium), Folhado (Viburnum tinus), Roseira brava (Rosa canina), Medronheiro (Arbutus unedo) madressilva Lonicera spp) e Hera (Hedera helix), entre outras possibilidades menos comuns como Azereiro (Philirea Latifolia) Sanguinho (Rhamnus alaternus) etc. 

Goldfinches are rarely seen unless we put up niger feeders and then they appear within the hourNo entanto também poderão ser usadas algumas espécies mais exóticas mas que no entanto são bem adaptadas e em nada nefastas para o ecossistema do jardim, como sejam as Cotoneaster, Pyracantha e Berberis que são produtoras de alimentos (bagas) especialmente boas para uma grande variedade de pássaros.A Pyracantha produz um belo efeito estético com grande quantidade de bagas vermelhas. Nas plantas importantes como recurso de alimentos para as aves no inverno  de modo óbvio estão incluídas também a maioria das frutíferas preferidas para os humanos dai que se cria um nível de competição pelos deliciosos e apetecíveis frutos como nêsperas, cerejas, maçãs, uvas e muitas outras.  
Por outro lado, a existência das anteriormente referidas espécies selvagens de arbustos e árvores autóctones, vão desviar em boa parte as aves dos frutos que nos interessam a nós. A colheita que nós compartilhamos com os animais selvagens, que muitas vezes chegam lá antes de nós, pode ser encarada como uma forma simpática de retribuir o precioso serviço que nos fazem por também comerem de igual modo, os insectos e pragas que iriam infestar as mesmas árvores de fruto, por vezes levando a que não consigamos consumir um único fruto são!
Ainda e acrescido, a sebe de espécies de arbustos/árvores nativas, é de igual modo muito importante por proporcionar abrigo para as aves que frequentem o nosso jardim. 
Um dos nossos grandes prazeres que podemos ter é alimentar adicionalmente os pássaros no inverno com  sementes como, amendoim, cereais muito diversos e até restos de pão já velho.
Este tipo de prática através da instalação de comedouros para aves, estratégicamente colocados em pontos escolhidos do jardim, podem de igual modo proporcionar o prazer de conseguir excelentes momentos de observação ornitológica, óptimas fotos e momentos de partilha saudável e harmoniosa com a Natureza.



Se viver já nos limites da cidade e em maior proximidade de zonas de campo ou matas de maior extensão, então terá o privilégio de receber muitos mais visitantes, tanto em quantidade como em diversidade. O inverno é um bom momento para bagas de plantas e árvores que muito embelezam o jardim e proporcionam o brilho de satisfação em saber   que estamos ajudando estes animais nos tempos mais duros e de maior escassez de alimento na natureza.

Biodiverse habitat has attracted ants which attracts green woodpeckersAlimentar aves num e através de um jardim é uma actividade agradável e muito útil na manutenção da biodiversidade em meios humanizados e que por vezes até pode resultar na satisfação de algumas dessas aves apreciarem tanto as ofertas, que escolham o nosso jardim para ai nidificar e criar  a sua descendência. 

Esse será o melhor dos elogios, o prémio pelo esforço. 

Por vezes este mesmo incremento de alimento que proporcionamos,  pode inclusive resultar numa postura adicional de ovos no verão, tão vital para algumas das nossas espécies de aves, ameaçadas de extinção, pois como é compreensivel, ao perceberem a maior disponibilidade de alimentos, as aves, que têm a capacidade de regular a intensidade e numero das posturas, irão sentir claramente que podem ter mais crias, pois o alimento é suficiente para garantir a subsistencia de todos. 

Curiosidades sobre plantas

Extraido de Naturlink
http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=13&cid=3018&bl=1
Coordenação de M.C. Reis e A.M


1. Na Austrália a diversidade de espécies vegetais é muito grande o que levou a que os primeiros exploradores a designarem por "Botany Bay" (Baía Botânica) um local onde encontraram mais de 1000 espécies diferentes de plantas.

2. Na Austrália há cerca de 600 espécies diferentes de eucaliptos (Eucalyptus spp.).
3. Os larícios (Larix spp.) são coníferas, tal como o pinheiro, mas têm a particularidade de mudarem de cor no Outono e perderem as folhas.
4. As árvores funcionam como bombas de água, pois através do seu sistema de vasos (ou vascular ou de transporte de seiva) podem elevar, da raíz até às folhas, uma quantidade extraordinária de água.
5. Uma árvore nova e com pouco mais de um metro pode elevar para as folhas até 45 litros de água por dia. Um carvalho de tamanho médio pode elevar mais de meia tonelada de água para prover as suas necessidades.
6. A largura dos aneis das árvores varia na razão directa da quantidade de madeira formada num ano.
7. As árvores mais velhas que existem à superfície do globo terrestre 
são o Pinus aristata, existindo alguns exemplares com mais de 8000 anos nas Montanhas Brancas dos Estados Unidos da América, a cerca de 2700 m de altitude.
8. Há sequóias (Sequoia sempervirens (Lamb.) Endl e Sequoia giganteum (Lindley) Buchholz) com mais de 3 000 anos. Por terem tantos anos, possuem uma casca muito espessa e praticamente invulnerável ao fogo, às doenças e aos insectos.
9. As sequóias são as árvores mais altas do mundo, estando referenciadas seis com mais de 100 m de altura, todas no estado da Califórnia. Em Portugal existe uma sequóia de dimensão apreciável em Vidago.
10. A árvore mais alta de Portugal é um eucalipto - Eucaliptus diversicolor - situado na Mata de Vale de Canas, com cerca de 70 m de altura
11. O Louro inamoim é uma espécie arbórea que vive na Amazónia, da qual se pode extrair até 20 litros de seiva, que é utilizada como combustível pois é muito semelhante à gasolina.
12. A Gingko biloga é uma árvore comum no Japão. Diz-se que é muito resistente, pois foi a única espécie vegetal que sobreviveu ao bombardeamento atómico de Hiroshima.
13. Algumas espécies de bambus chegam a crescer mais de 90 cm num único dia.
14. A maior semente do mundo é produzida por uma espécie muito alta de palmeira, que vive nas ilhas Seychelles. É o "côco do mar", que pode chegar a pesar mais de 20 kg.
15. Uma única planta tem a capacidade de purificar o ar de uma sala de 9 m2.
16. Existe na Amazónia uma flor com mais de 2 metros de diâmetro.
17. O nome urtiga vem do latim "urere" que significa arder. É o nome genérico dado a plantas que apresentam um mecanismo de defesa que consiste em produzir determinadas substâncias (por exemplo a histamina, a acetilcolina e o ácido fórmico), que ao entrarem em contacto com a pele, provocam uma dilatação dos vasos sanguíneos e um inflamação localizada. Estas substâncias são armazenas em minúsculos pêlos do caule e folhas das plantas, possuidores de uma extremidade muito frágil que se rompe ao mais ligeiro toque.
18. O micélio é a parte principal e subterrânea de um fungo que realiza todas as funções das raízes, caules e folhas de outras plantas. É constituído por uma massa de fios muito finos designados por hifas.
19. O micélio de um fungo frutifica sob a forma de cogumelo em condições de humidade elevada. Este cogumelo varia muito de dimensão, forma, côr e grau de toxicidade. Alguns são muito venenosos, mas outros são comestíveis.
20. Um líquene é formado por um fungo e por uma alga unicelular. A alga produz substâncias orgânicas através da fotossíntese que alimenta o fungo. Por sua vez, o fungo, com as suas hifas, protege a alga. Esta associação é tão íntima, que vivem ambos como um organismo único. Os líquenes encontram-se em qualquer tipo de superfície livre, desde rochas a troncos de árvore. Crescem muito lentamente e podem viver centenas de anos. Muitas espécies só se desenvolvem em locais onde o ar não está poluído, pelo que são muitas vezes utilizados como indicadores da qualidade do ar.
21. As micorrizas formam-se quando um fungo invade as raízes de uma planta. O fungo retira nutrientes da planta, mas esta também beneficia, porque o fungo ajuda-a a absorver os sais minerais do solo. Tal como os líquenes, as micorrizas também são um exemplo de mutualismo, uma associação de duas espécies, da qual ambas colhem benefícios. É um tipo de associação que se encontra em muitas plantas. Algumas plantas, como por exemplo certas espécies de orquídeas, só se desenvolvem com a colaboração dos fungos.
22. As plantas carnívoras apresentam diversas adaptações para capturarem os animais com que complementam a sua alimentação. Um exemplo de estratégias de captura de insectos é o da Sarracenia purpurea, espécie nativa da América do Norte. Ela possui folhas transformadas em jarros, muito coloridos, que funcionam como armadilhas. Para além da cor que actua como elemento atractivo para os insectos, estas folhas emitem ainda um odor, que os atrai para a margem dos jarros. Quando um insecto pousa, ele escorrega para o interior da armadilha, pois esta encontra-se humedecida por uma substância viscosa. Já dentro do jarro, os tecidos do insecto são digeridos por substâncias químicas que a estrutura vegetal secreta, transformando-se em nitritos e nitratos que são, em seguida, absorvidos pelo vegetal. O insecto é impedido de subir as paredes internas do jarro, pois estas encontram-se cobertas por pêlos viscosos, que garantem o insucesso da fuga.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL : TAPADA DA AJUDA – UMA FLORESTA A DESCOBRIR


Programa de educação ambiental :
tapada da ajuda – uma floresta a descobrir


No âmbito do ano internacional das florestas em 2011, o Centro de Ecologia Aplicada do Instituto Superior de Agronomia, o projecto Cultivar biodiversidade, promovem visitas lúdico-pedagógicas destinadas a escolas do Ensino Básico e pré-escolar na Tapada da Ajuda.
Estas visitas são um convite para experiências e explorações sensoriais e integrais que estabelecem a ligação íntima e dependente que o ser humano tem com as florestas. A partir desta conexão entre a floresta e os participantes abordamos a importância das florestas no desenvolvimento sustentável, meta imprescindível para a nossa e para as futuras gerações.

A sabedoria das árvores / primeiro ciclo


Num passeio pela Tapada da Ajuda os participantes vão descobrir a estreita ligação entre homens e árvores desde que habitamos o planeta. Das histórias e mitos, às utilizações práticas que tornam as árvores os melhores amigos do homem.
O grupo vai conhecer algumas espécies e curiosidades sobre elas, vai entrar na casca de uma árvore e criar uma ligação de seiva e coração.



Objectivos gerais:




•          Facilitar uma aproximação lúdica e afectiva à floresta
•          Conhecer algumas espécies de árvores representadas 
•          Conhecer as árvores, como são, como vivem 
•          Sensibilizar para a ligação cultural, económica e ecológica entre homens e árvores
•          Conhecer alguns exemplos de interdependências entre árvores e outras espécies
•          Estabelecer uma relação positiva pelas vivências directas com a floresta e com a natureza
•          Sensibilizar para a importância da biodiversidade das florestas para um futuro sustentável

O poder dos consumidores na sustentabilidade (vídeos)

Apresento aqui a sequência esta excelente série de filmes em educação ambiental e cidadania para a sustentabilidade. Como consumidores temos um papel muito mais importante do que pensamos. Tanto na protecção do ambiente como da ordem do mundo. seja consciente nas suas opções e faça parte da mudança.

E como conclusão destas mensagens? Não devemos ter mais nada destas coisas?
Podemos obviamente, mas como em tudo, que o façamos em consciência e noção do impacto que estamos a contribuir. O usual dilema de fazer parte do problema ou da solução?

Uma coisa é certa, regra geral somos compelidos a consumir muito mais que o que necessitamos, fomentando a riqueza dos que nos ludibriam e manipulam nesse preciso objectivo, enriquecer. E não raras vezes degradando as nossas próprias possibilidades financeira e de igual modo, qualidade e sentido de vida, por nos cobrirmos de coisas que na maior parte das vezes são meras ilusões criadas pelos sistemas da sociedade de consumo.

Ou seja estamos a trabalhar, esforçar e fazer sacrifícios para melhorar a nossa vida ou para enriquecer um pequeno grupo (já deveras rico) degradando o meio ambiente de um modo irreversível para nós e sobretudo as gerações seguintes?
paradigma difícil que cabe a cada um decidir e optar em consciência... 

Aqui está a informação de forma muito clara e acessível, lúdica até...

O dilema de consumo-Ecologia e Sustentabilidade ambiental



O processo de produção e consumo dos cosméticos



O processo do comércio e consumo da água



O processo ambiental do consumo de equipamento electrónico




O actual estado do Mundo: Crise ou oportunidade?

A tão chamada crise económica no presente é quanto a mim e de forma muito clara uma oportunidade para uma reorientação ecológica da economia e  da orientação sócio-cultural da população dos países industrializados. Encare-se nem que seja na perspectiva de uma abordagem positiva e construtiva de que, "o copo não está meio vazio, mas sim meio cheio". 

Conseguir aplicar uma nova abordagem da sustentabilidade tanto na dimensão cultural, do imaginário colectivo e da subjectividade, quanto na dimensão social, nas formas de produção da subsistência humana e alimentação conseguindo inclusive dar novos contornos e substância ao conceito. Ter como base a Permacultura para uma nova visão do mundo incrementando a prática da ecologia individual, social e para o planeta como ferramenta num processo de transformação interna e externa.


O conceito de sustentabilidade tem vindo a ser construído e reconstruído, de vários prismas e formas de abordagem, desde os anos 70, resultado de muitas convulsões sócio-ambiental e nas dinâmicas sociais e ambientais. A falência ou esgotamento de muitos dos modelos tidos até recentemente como ideais e como tal, em posição dominante, criou o imperativo de rever o conceito de sustentabilidade Nas suas várias abordagem possíveis de uma forma multidisciplinar e transversal, devendo propor-se a conseguir facultar uma nova visão e abordagem do mundo e seus mais prementes problemas actuais a que comummente se convencionou chamar de "crise". O planeamento em Permacultura no contexto mais rural e os movimentos de transição, no contexto mais urbano, estão muito próximos de ter o sucesso onde todos os outros falharam


Este excerto de um documento do movimento "Cidades em transição", ilustra bem este pressuposto:
“Cidades em Transição”, como são conhecidas, são a soma de movimentos localizados que tem como alvo a mitigação dos efeitos das futuras crises criadas pelo aumento do preço do petróleo e da mudança climática. São cidades – e cidadãos – que decidiram fazer uma profunda mudança de paradigma para que seja alcançado um modelo mais sustentável que possa ser marcado pela auto-suficiência (reduzindo os impactos ecológicos) dar suporte à energias alternativas, construir cidades mais habitáveis e contribuir para um consumo local e responsável. 

Essas cidades desejam aprender com as suas histórias para construir um futuro melhor. No passado, os produtos eram feitos nas cidades ou em seu entorno e os habitantes desses centros urbanos aprenderam a obter maior eficiência do uso de recursos locais. Isso permitia que as cidades estivessem melhor preparadas para momentos de crise. 


A mudança de paradigmas afecta todos os aspectos das cidades: o meio ambiente (reduzir os impactos ecológicos, recuperar, reciclar, promover energias renováveis, etc.), o modelo de crescimento da cidade (promover a cidade compacta), a qualidade de vida das pessoas (com cidades construídas por pessoas para pessoas, pensando nas futuras gerações), e inovações urbanas (cidades mais inteligentes e eficientes). "

Este filme de seguida apresentado é mais uma excelente achega para ilustrar de modo bastante clara aquilo que pretendo transmitir:



Oficina prática de Hortas em Permacultura


Num curso em que os participantes ficarão a saber efectivamente como iniciar e fazer uma horta ecológica num quintal, pois irão participar de todo o processo de instalação de uma horta in loco:

1. A concepção e design
2. A preparação dos solos
3. Camas elevadas
4. A criação do composto
5. As plantações e sementeiras
6. A manutenção
7. A instalação do sistema de rega
8. A protecção e fitossanidade


No final os participantes recebem um manual em pdf de agricultura biológica, uma tabela de consociações de culturas e uma tabela de tratamentos e controle de pragas e doenças
Preço: 42 Euros (inclui almoço vegetariano bio)



Inscrições : info@a-love-supreme.pt

Oficina Hortas ecológicas em família

Dia 28 (Domingo) entre as 10.30 e as 13.00




No processo semear ou plantar hortas, Pais, mães e os seus filhos podem partilhar entre si o processo fantástico da dos princípios base da natureza e do cultivo de alimentos, estreitando relações, num mundo em constante mudança de formas e estratégias de sobrevivência.
1.  Preparar a terra
2.  Observar e desenhar a horta
3.  Conhecer os factores naturais condicionantes
4.  Semear e plantar
5.  A compostagem e os solos
6.  A colheita e conservação de sementes

Valor 10 euros para 1 adulto e uma criança e
 3 euros para mais um adulto ou criança


O que é o Movimento de Transição e Permacultura: Inicie o seu no bairro de residência


O movimento de transição surgiu na Irlanda e foi criado por Louise Rooney sendo popularizado por Rob Hopkins na Inglaterra. Depressa se difundiu por todo o mundo, encontrando-se neste momento numa fase de enorme expansão.

Este movimento tem como base o facto de nos aproximarmos do fim da era do petróleo barato e tem como finalidade sensibilizar e dotar as comunidades de capacidades para enfrentar esta situação e as alterações climáticas.

Surgem por todo o mundo, em muitas cidades, associações/ONGs dedicadas à realização das mais diversas acções que têm sempre como objectivo a sensibilização e preparação das pessoas para as duas questões mencionadas.

Resumidamente, é um movimento que tem como objectivo transformar as cidades em modelos sustentáveis, menos dependentes do petróleo, mais ligadas à natureza e mais resistentes a crises externas, tanto económicas como ecológicas.


De forma a orientar as iniciativas interessadas em aderir ao movimento, o Rob Hopkins criou os “12 passos para a transição” que se encontram no seu livro “The transition Hand Book” (O livro de bolso da transição).

Esses 12 passos são os seguintes:

1.Formar grupos na sociedade para procurar possíveis medidas para a diminuição do consumo de energia na comunidade. Questões como a importação de alimentos, energia, educação, moeda local, urbanismos e transportes. É muito importante que o sucesso colectivo seja colocado acima dos interesses pessoais. Deve haver um representante para cada grupo.
2.Identificar possíveis alianças e construir redes de trabalho. Preparar a sociedade em geral para falar sobre as consequências do pico do petróleo e sobre o aquecimento global e alterações climáticas. Normalmente realizam-se palestras com especialistas e mostras de filmes relacionados com o tema.
3.Incorporar ideias de outras organizações e iniciativas já existentes.
4.Organizar o lançamento do movimento que pode ocorrer entre seis meses e um ano após o passo número um.
5.Formar subgrupos que vão olhar para as suas regiões específicas e imaginar como a sociedade pode torna-se resiliente, ou seja, ser auto-suficiente e capaz de suportar choques externos, como a falta do petróleo.
6. Fazer eventos em espaços abertos. É importante que a sociedade perceba o movimento e queira fazer parte dele.
7.Realizar actividades que requerem acção, como por exemplo, plantar árvores de fruto autóctones.
8.  Recuperar hábitos perdidos como fazer concertos públicos, cozinhar, fazer jardinagem, cultivar hortas e andar de bicicleta.
9.   Construir bom relacionamento com o governo local.
10.Escutar os mais velhos. As pessoas que viveram entre 1930 e 1960, época em que o petróleo ainda não era tão importante, podem ter muito para ensinar.
11. Não manipular o processo de transição para essa ou aquela tendência. O papel do movimento não é levar todas as respostas, mas deixar que a população encontre meios para a transição. O movimento deve ser um catalisador de ideias.
12.Criar um plano de acção para reduzir o consumo de energia da cidade.


O filme sobre o movimento Das Cidades em Transição


Links que podem ajudar no processo de criação de um núcleo de transição no seu Bairro: